terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

SOBRE OS ANIMAIS

Um belo texto, que as autoridades deveriam ler...
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Semana passada, um e-mail que recebi pelo Circomunicando me chamou a atenção. Era um texto escrito pela amiga Alice Viveiros de Castro, sobre a questão polêmica dos animais em circos. Com sua devida autorização, gostaria de reproduzir aqui no Circo News, para que nossos leitores possam opinar, abrindo mais um espaço para esta discussão. Segue o texto:
Circo tem que ter palhaço, trapezista e animais
Nos últimos anos os Circos vem sendo vítimas de uma perseguição que se baseia em mentiras e preconceitos. Criaram até um slogan que à primeira vista causa impacto: “circo legal não tem animal”. Mas esta frase de efeito é uma contradição em termos, pois o espetáculo de Circo sempre teve animais. Os acrobatas da Serra da Capivara, há mais de 12.000 anos atrás já conviviam e brincavam com animais domesticados. O Circo moderno, criado em 1766 pelo sargento inglês Philipe Astley, era um espetáculo equestre a que se somavam os números dos saltimbancos dos teatros das feiras. O termo Circo de Cavalinhos, que muito se utilizou no Brasil até os anos 50 do século passado, explicitava a diferença entre o circo à moda Astley e os Circos de Touradas que herdamos dos portugueses. No século XIX era comum que cada companhia caprichasse no nome, deixando bem claro o que a distinta platéia veria: Companhia de Pantomimas Equestres, Acrobática e Zoológica Fulano de Tal era um nome grande mas que não deixava dúvidas, o público veria um espetáculo com cavalos, animais exóticos, acrobacia e palhaçada. O Brasil sempre foi um grande país circense e até hoje o Circo é o espetáculo ao vivo que atinge o maior número de espectadores e o único presente em todos os rincões deste país. Mas eis que, em nome de uma causa justa, querem, confundindo alhos com bugalhos, acabar com a tradição e a mais bela diversão. Sem nenhuma preocupação com a Verdade e com a Justiça acusam toda uma classe de crueldade e deixam famílias sem trabalho e sem seus animais, retirados à força de seus amados donos com quem, muitas vezes, convivem desde que nasceram. Animais devem ser bem tratados sempre! Tem que ser bem tratados na casa de cada ser humano que resolver ter um pet, seja gato, cachorro ou hamster. Elefantes de carga na Índia, camelos transportando caravanas nos desertos, tigres nos Hotéis de Las Vegas, ou nos parques e zoológicos públicos e privados tem que ser protegidos, bem tratados e a população tem que ter o direito de com eles conviver em segurança. A lei brasileira protege animais de maus tratos e a jurisprudência tem sido clara em considerar que o termo se refere à alimentação, higiene e espaço adequados. Enfim o que todos nós, humanos ou não, deveríamos ter sempre: casa, comida, saúde e carinho! Os animais em circos tem tudo isso. Nem sempre é verdade. Ao longo da história vamos encontrar circos que possuem animais mas que não tem as condições adequadas para mantê-los. Podemos também encontrar pessoas incompetentes e que em algum momento não dão aos animais sob a sua responsabilidade o carinho e o tratamento adequado. Mas esse não é um privilégio do circo. Por que então essa gritaria histérica contra o circo? É preciso esclarecer que nenhum animal de circo foi retirado de seu habitat natural. Todos tem que ser registrados no IBAMA e a cada mudança de praça é preciso retirar um documento autorizando o transporte assinado por um veterinário responsável pela saúde dos animais. Mas quando alguém resolve contratar um pobre coitado para espancar um camelo, filmar a agressão e passá-la em rede nacional nada disso adianta: o mal está feito e o criminoso não é quem filmou, quem pagou, ou quem bateu, mas sim o dono do circo que não sabia de nada e da noite para o dia se transformou num “monstro cruel” recebendo ameaças e processos. A boa notícia é o que Circo Brasileiro hoje está unido em defesa da bela tradição dos animais no picadeiro. Com o apoio da Federação Internacional do Circo estamos preparando propostas para que o IBAMA possa finalmente lançar um decreto em que se determine as condições de alojamento, transporte e apresentação de cada um dos diferentes tipos de animais que se apresentam nos espetáculos circenses. Em breve a lei do Minc será revogada. Por ela não é possível contar com a presença de um cachorrinho em cena, nem de um coelho ser tirado da cartola. A lei fere principios constitucionais legislando sobre materia que compete ao Congresso ao impedir o exercício de profissão regulamentada e desrespeita o acordo da Unesco sobre a Diversidade Cultural. Com o apoio e a fiscalização do IBAMA os circenses brasileiros poderão trabalhar sem sofrer ameaças e humilhações movidas por ódio, interesses escusos e ignorância. Circo é muito bom. Com animais saudáveis e legalizados é muito melhor.
Alice Viveiros de Castro
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>>> Opinião do Strapa: Texto excelente, explicativo e muito sensato. É o que sempre falo: deve haver F-I-S-C-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O. A simples proibição é algo abominável, sem lógica. Parabéns Alice! O espaço do Circo News estará sempre aberto para você e todos que quiserem debater sobre assuntos relacionados ao circo.

4 comentários:

AVC disse...

Agradeço as palavras e o carinho e me coloco à disposição. E mais uma vez parabéns pelo blog: espaço aberto, democrático, inteligente e divertido!

Anônimo disse...

Sou um grande apaixonado e admirador de Circo!!! Sou a favor de circo com animais, claro, tudo dentro das condiçoes de fiscalizaçao, como Foi colocado no testo pela AVC, pois "CIRCO SEM ANIMAIS É O MESMO QUE UM PARQUE DE DIVERSOES SEM A RODA GIGANTE!!!Parabens pelo Blog

Leonardo disse...

O Texto da Alice é excelente e concordo plenamente com ela, pois, salvo melhor juízo, a matéria é de competência da União, cabendo somente ao Congresso Nacional legislar sobre o assunto, por isso, sugiro à Federação de Circos, entidade com legimitimadade para a causa, propor no caso de leis estaduais como é o caso daqui do Rio, uma Representação de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal e, em relação aos Municípios, um Ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Parabéns pelo blog meu amigo, há muito tempo venho a procura de um que corresponda os meus anseios sobre a situação dos circos que amo desde criança.
Um forte abraço,

Leonardo de Lima Machado

e-mail: llmachadao@gmail.com

Anônimo disse...

A diretora criativa do Cirque dul Soleil já disse, é na proibição dos animais em circos em que haverá o estímulo a inovação nos espetáculos circenses..

Em Zoológicos sérios, há ambientação, tentando trazer parte dos ecossistemas naturais, além do fato de muitos animais serem objetos de pesquisa, as quais poderão fornecer subsídios para a conservação das populaçoes naturais..

E no circo? Não acredito que pular arcos ou fogos ajude na conservação de espécies, ou que haja um esforço em reproduzir o ambiente natural do animal...

Cabe refletir... Se a origem do circo foi com animais, hoje vivemos uma superação... Hoje abominamos a morte de gladiadores como entretenimento para a populaçao e, no futuro, iremos abominar animais em circo...