quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Reportagem Especial


O Circo News inicia nesta semana uma série de reportagens especiais sobre o incêndio no Gran Circo Norte Americano, em dezembro de 1961,  na cidade de Niterói, Rio de Janeiro

* Trabalho de pesquisa nos seguintes sites:
www.oglobo.globo.com
www.falasantos.com.br
www.ensinarhistória.blogspot.com
www.jblog.com.br

MAIOR TRAGÉDIA EM CIRCOS COMPLETA 50 ANOS
OFICIALMENTE, FORAM 503 MORTOS NO INCÊNDIO DO GRAN CIRCO NORTE AMERICANO, MAS EXISTEM FAMÍLIAS QUE AFIRMAM NUNCA TEREM ENCONTRADO SEUS PARENTES


O domingo parecia mergulhado no clima alegre que se instalara em Niterói com a chegada, dias antes, do que prometia ser o maior e mais completo circo da América Latina. No dia 17 de dezembro de 1961, sob a lona verde e laranja do Gran Circo Norte-Americano, a plateia esperava ansiosa pelo número que encerrava o espetáculo do dia. A trapezista Nena,  terminava o seu salto tríplice e esperava os costumeiros aplausos, quando um incêndio criminoso lambeu, às 15h45, a lona parafinada que cobria o picadeiro. Nena e os outros dois parceiros trapezistas escaparam ilesos. As outras 2.500 pessoas, não. 



Foi assim que, há 50 anos, começou o que se considera “a maior tragédia circense da história”, como noticiaram os jornais da época. O incêndio do Gran Circo Norte Americano deixou um sentimento de aversão aos espetáculos itinerantes em Niterói, e promoveu uma enorme comoção no Brasil inteiro. Fez surgir o profeta Gentileza, e também se tornou um marco na carreira do cirurgião Ivo Pitanguy. Foi neste episódio que João Goulart, presidente à época, chorou na frente dos fotógrafos, ao conversar com uma das vítimas.


O LIVRO:

Os números divulgados pela imprensa eram desencontrados, mas a tragédia terminou com um saldo oficial de 503 mortos, a maioria, crianças. Há famílias que contam nunca ter encontrado seus parentes. Hoje, a história detalhada do incêndio do Gran Circo é narrada nas páginas do recém lançado "O ESPETÁCULO MAIS TRISTE DA HISTÓRIA", livro do jornalista Mauro Ventura, pela editora Companhia das Letras. Conta o autor que, em suas pesquisas para estruturar a obra, o que mais lhe chamou atenção foi o fato de quase ninguém acreditar na versão oficial da polícia, de que Dilson Marcelino Alves, 20 anos, o Dequinha, ateou fogo no local com a ajuda de outros dois homens, Bigode e Pardal.
Dequinha estava entre os funcionários contratados provisoriamente pelo dono do circo, Danilo Stevanovich, para ajudar na montagem do picadeiro. Por ser "preguiçoso", o jovem foi demitido três dias antes do incêndio, mas sem antes prometer vingança. Dequinha logo se tornou o principal suspeito do crime, pelo qual confessou ser o autor, dias depois da tragédia. Mesmo assim, conta Mauro Ventura que, ao abordar os personagens que viveram o drama, muitos preferem acreditar na versão de que um curto-circuito pôs fim ao espetáculo.  
“Também me chamou atenção o impacto que a tragédia teve na vida das pessoas, e não só dos sobreviventes”, lembra Ventura. “Assisti a um vídeo feito há dez anos em que os médicos falam do trabalho de atendimento às vítimas, e todos eles choram. Mesmo gente que não viveu diretamente o incêndio, tendo acompanhado apenas pelas revistas, ainda se diz marcada pelas fotos”.
Apesar da comoção, Niterói preferiu varrer da sua história a memória da tragédia que feriu quase um país inteiro. Os espetáculos circenses só voltariam ao município em 1975, com a chegada do circo Hagenback, que inaugurou com lona importada à prova de fogo, saídas de emergência, extintores de incêndio e bombeiros de plantão. Anos depois, no local onde se deu a tragédia de 61, o Exército decidiu erguer o hospital Policlínica Militar de Niterói – que recentemente inaugurou um memorial para as vítimas no local. Durante escavações para reforçar a estrutura do terreno, já na década de 80, funcionários encontraram ossadas humanas, resquícios do incêndio durante o espetáculo que, em menos de dez minutos, terminou em cinzas.


NA PRÓXIMA SEMANA:
RELATOS DE SOBREVIVENTES E O PROFETA GENTILEZA

3 comentários:

Anônimo disse...

FICO CADA VEZ MAIS EMOCIONADO AO LER ALGO SOBRE ESSA TRAJÉDIA QUE FOI CONSIDERADA A MAIOR TRAJÉDIA EM LOCAL FECHADO DE TODOS OS TEMPOS , E SONHO E PODER VOLTAR NO TEMPO PARA IMPEDIR QUE ALGO TÃO TERRIVEL ASSIM PUDESSE ACONTECER.

P.Marcos Carvalho disse...

Vídeo completo do Linha Direta da globo sobre a tragédia http://youtu.be/KFMWMrZYjp8

Miguel Sampaio disse...

Foi um dia triste eu era criança - no dia que circo pegou fogo em Niteroi estavamos la ilha meu pai minha mae e meus irmãos Na Praia do Bananal não existia a ponte lembro da fumaça da morte la no outro lado da Baia.